Estratégia das Tesouras

Se lê nas redes sociais e blogs independentes um termo que, apesar de novo para algumas pessoas, já é bem utilizado em redações brasileiras e textos em inglês (provavelmente em outras línguas, mas o inglês é meu limite) para explicar uma situação de dominação de dois partidos na política, é a chamada “Estratégia das Tesouras”. Mas afinal, de onde nasceu esse termo e qual o seu significado?

A “Estratégia das Tesouras” consiste em ter dois partidos socialistas sempre dominando o cenário político, midiático, econômico e social do país. Um com viés autoritário/socialista/estatal, por exemplo, e o outro com viés mais ameno ou democrático/central/apaziguador, mas os dois com os mesmos princípios e dominados por uma mesma força e com objetivos implícitos em comum.

No Brasil, o termo foi citado primeiramente pelo filósofo e astrólogo Olavo de Carvalho em dois de seus textos:

A articulação dos dois socialismos era chamada por Stalin de “estratégia das tesouras”

[...] através da inteligente manipulação dos conflitos por meio do que Lênin chamava “estratégia das tesouras"

  • E do blog “Desatracado”, este sendo o mais replicado nas redes sociais:

Esta “Estratégia das Tesouras” na dialética de Hegel e Marx (para não se falar da astúcia de Lênin e das sutilizas de Gramsci) intenta, usa e cria em jogar com as contradições [...]

Daí chegamos no cerne do problema, foi Lênin? foi Stalin? Ou uma estratégia Hegeliana ou Marxista? o que podemos aceitar primeiramente nessa questão é que, por falta de fontes confiáveis, o termo talvez não tenha sido utilizado por eles. Na verdade, o termo "Estratégia das Tesouras" fora cunhado por um ex-soviético chamado Anatoliy Golitsyn no seu livro New Lies for Old (Novas Mentiras no Lugar das Velhas), como um tentativa de explicar um movimento mundial de dominação onde China e Rússia estariam a frente, ele escreve no capítulo 25:

Dada a multiplicidade de partidos no poder, as ligações próximas entre eles, e as oportunidades que tiveram para alargar suas bases..., os estrategistas comunistas estão preparados, na busca dessa política, para estabelecer manobras e estratagemas que vão além da imaginação de Marx ou do alcance prático de Lênin e [que seriam] impensáveis para Stálin. [...]

Afirmar então a possibilidade desse termo ter sido criado por Stalin ou Lênin é remota, mas não impossível, somente demonstrando a máxima de que “uma mentira repetida várias vezes pode se tornar uma verdade.

Agora, podemos desqualificar a estratégia somente porque não há um autor certo ou porque o termo foi utilizado de outra forma? DE MANDEIRA NENHUMA! Na verdade, o ponto principal deste texto é demonstrar que mesmo não sendo os socialistas os autores do termo, eles são seus principais utilizadores como uma estratégia para se perpetuarem no poder.

Essa estratégia possui muitos nomes na história, uma das mais conhecidas foi chamado de "esquema de duplas" de René Guénon e Frithjof Schuon no texto O Segredo da Invasão Islâmica, que formavam uma falsa oposição para melhor influenciar seus seguidores.

No Brasil, é claramente visto na dicotomia esquerda x direita ou PT X PSDB (que são os mais conhecidos) onde um partido claramente socialista com ideias de igualdade e revolução do proletariado, temos o outro mais “centro” com ideias de distribuição de renda e políticas sociais. Mal sabe o leitor que ambas as propostas são da mesma agenda, onde distribuição de renda nada mais é que tomar o dinheiro de quem produz e entrega-lo a quem não produz, fazendo com que ambos fiquem pobres, causando assim a política socialista de igualdade para todos.

Mas essa dualidade é somente destes dois partidos? Não, pois cada região tem o seu acordo e suas forças que desejam basicamente a mesma coisa, escravizar a população por meio do estado e manter-se no poder a qualquer custo. E isso pode ser feito por qualquer partido político, independe de sua bandeira defendida, bastando observar como os partidos se revezam e como agem da mesma forma.

E qual a lição que podemos tirar disso? A estratégia das tesouras consiste em duas lâminas que representam falsamente lados opostos que convergem, para assim confundir suas vítimas, e simultaneamente neutralizam a verdadeira oposição (libertarianismo) enquanto eles avançam a agenda marxista de existência do estado para dominação dos indivíduos.

Economista de tradição austríaca
Professor e mestre em economia
Austrolibertário

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