Porque jovens e adolescentes são importantes para o libertarianismo

É notório o crescimento do libertarianismo, visto nas redes sociais e canais de youtube do Brasil nos últimos anos, reflexo direto da expansão e acesso à informação que a internet trouxe aos lares dos mais simples até dos mais agraciados com rendas maiores. Agora o mais curioso é o fato de que o crescimento está ocorrendo em uma faixa de idade bem específica, normalmente ignorados pela sociedade por serem “imaturos”, que vão dos 15 até os 25 anos de idade em média[1], são estes jovens e adolescentes que estão a frente do movimento libertário e isto é muito bom, se não, a melhor estratégia possível.


A informação e o seu acesso não pertencem mais aos professores e muito menos a nenhuma instituição, está dispersa, está ao alcance de qualquer um. Antes de termos acesso relativamente barato a internet, éramos obrigados a ouvir e aprender somente o que as instituições públicas e privadas nos passavam, conteúdos que o MEC (Ministério da Educação) os obrigava em reproduzir. Então, nós temos um sistema educacional que não permite mudanças no conteúdo, tornando quase absoluto tudo que vem deste ministério. Mas porque isso? Um mal chamado positivismo, uma utopia que põe o estado como “engenheiro social” na busca da sociedade perfeita, moldando-a e aparando-a como bem quiser, excluindo a figura do indivíduo e louvando a massa amorfa chamado coletivo.

Além do que, esse sistema coletivista-positivista de Comte, entende que a juventude é importante, e muito, para que possam perpetuar suas ideias. Podemos observar isso na predominância dos grêmios estudantis e dos DCEs das universidades e faculdades impregnadas com este discurso, muito belo por sinal, mas com efeitos nefastos. E isso se fez por muitos anos, contudo, isto bem mudando nos últimos tempos.

Dentro deste contexto surgiram esses jovens e adolescentes, em que o ímpeto e a busca incessante por verdades, ações estas que são duramente criticadas pela tal “sociedade”, foi a solução para o sistema engessado ser quebrado mesmo que aos poucos, ou seja, jovens e adolescentes naturalmente curiosos munidos de uma ferramenta que permite descobrir novos conceitos, novas proposições, novos caminhos. Foi justamente a insatisfação com a realidade e a percepção aguçada de que “há algo de podre no reino da Dinamarca”, fizeram com que buscassem mais, que fossem além, usassem seu tempo livre para preencher aquele vazio, da falta de sentido do mundo, com novos autores, como Tomás de Aquino, Kant, Locke, Cantillon, Mariana, Bastiat, Menger, Bohm-Bawerk, Hayek, Mises, Rothbard, Kirzner, Lachmann, Huerta de Soto e muitos outros que rasgam a massa amorfa do coletivismo e removem o indivíduo perdido, colocando este como o motor da sociedade e agente de mudança. Agora sim, para estes jovens e adolescentes as coisas estão começando a fazer sentido.

Contudo, nem tudo são flores, da mesma forma que existe muita informação disponível, esta mesma informação não está em ordem, muita das vezes confusa, noutras vezes até aparentemente conflitante, o que termina por causar graves problemas de contradição no discurso, na construção das ideias principalmente, resultando que muitos deles se dispersam ou abandonam o movimento libertário. Aqui é necessária uma atenção maior para os que já possuem conhecimento e ordem no aprendizado, que tenham mais parcimônia com eles, justamente por faltar ordem no aprendizado, talvez aquilo que está sendo discutido seja porque falta de uma lacuna nos pilares do conhecimento, e assim ridicularizar ou até mesmo excluí-lo, seja na verdade o contrário do que você deveria fazer, que é instruir e descobrir o que falta para completar a lacuna.

Assim, da mesma forma que menosprezavam aqueles jovens na década de 70, com ideais coletivistas, porque “não vai dar em nada” ou “são só adolescentes” ou até “quando crescer, vai esquecer”, são justamente os jornalistas, escritores, advogados, juízes, economistas, professores, radialistas, empresários, políticos e várias outras profissões que influenciam de forma “positivada” e coletivamente nossas vidas. Não menosprezem estes adolescentes libertários, eles serão a solução para o futuro do movimento libertário do Brasil.

Economista de tradição austríaca
Professor e mestre em economia
Austrolibertário

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