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O Libertario

Um novo olhar para a ciência


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Transhumanismo5
No mito de Ícaro, da Mitologia grega, Dédalo confecciona dois pares de asas – um para si e outro para Ícaro, seu filho – feitas de penas e cera para que possam fugir do labirinto onde foram aprisionados. Ícaro fora advertido por seu pai para não voar tão rente ao sol, pois o calor derreteria a cera, nem tão rente ao mar, pois a umidade deixaria as asas mais pesadas levando-o a cair no mar. O filho, no entanto, possivelmente inebriado pelas novas potencialidades fornecidas pelo seu novo aparato se aproximou demais do sol ocasionando o derretimento da cera e sua queda no mar. Analogamente, este mito tem muito a nos dizer a respeito dos novos paradigmas advindosz da relação do homem no mundo com o advento da tecnologia, que evolui de forma cada vez mais rápida. Será que o homem está acompanhando este processo?

Em 1924, o filosofo inglês Bertrand Russell publicou o ensaio Ícaro, ou o futuro da ciência 1 em que analisava as consequências da Ciência de seu tempo realizando projeções para o futuro. Nele se lê “Ícaro, que aprendeu a voar com seu pai Dédalo, foi destruído pela sua imprudência”2. Com o aumento crescente de suas potencialidades técnicas, o homem se vê, mais do que nunca, tendo de se confrontar com extensos dilemas morais sobre a aplicação dessas potencialidades. As consequências desta aplicação podem ser desde a extinção da humanidade – cenário provável caso não seja feito um uso cuidadoso de novas tecnologias e dos recursos naturais – até um estado de existência extremamente mais feliz, humano e intenso que o atual. Contudo, o impacto da concepção científica de mundo sobre o homem tem se mostrado inelutável e, relativamente ao futuro, as mudanças até o presente momento têm sido pequenas.

ARQUIIVO CIÊNCIA & VIDA

A Lamentação por Ícaro, de Herbert James (1863 – 1920). O mito representa a necessidade de se usar a técnica de forma racional, pois o seu uso inadequado gera consequências catastróficas para o homem e para a natureza

Isso ocorre porque o indivíduo, muitas vezes, se omite deste debate e realiza, com isso, a decisão de ser assolado por mudanças em cujos processos de escolha ele não tomou parte. Contudo, qualquer mudança social que aspire legitimação deve ser resultado de escolhas bem informadas dos indivíduos. A pesquisa científica deve ser conduzida com relativa liberdade por uma parcela da sociedade, mas a escolha de como aplicar o resultado dessa pesquisa deve caber ao povo: “Eles imaginam que uma reforma inaugurada pelos homens da Ciência seria administrada tal como os homens da Ciência desejariam. (…) Essas são, é claro, ilusões; uma reforma, uma vez atingida, é colocada nas mãos do cidadão comum.”3

Uma nova linha da Filosofia se insere diante disso: o Transhumanismo, que é um movimento cultural e intelectual fundado na crença de que podemos e devemos implementar um uso racional da tecnologia que altere fundamentalmente a condição humana para melhor. A discussão emerge a fim de explorar ao máximo as potencialidades tecnológicas para uma vida melhor e discutir as questões morais envolvidas, e deve ter participação popular na definição da melhor forma de condução de todos esses processos.

O PROGRESSO ACELERADO

Os primeiros Homo Sapiens demoraram milhares de anos para desenvolver novos métodos de lascar a pedra de modo a produzir ferramentas mais eficientes. O espaço entre a descoberta de um procedimento e outro era de milhares de anos, já que elas eram lentamente difundidas entre os humanos. Com o passar dos anos, o espaço entre as descobertas têm caído drasticamente e o homem tem feito cada vez mais descobertas com potencial benéfico ao bem-estar humano.

O que uma análise cuidadosa do desenvolvimento tecnológico mostra é que o progresso técnico segue crescendo num ritmo exponencial – ou seja, o número de descobertas num período é igual ao de descobertas do período anterior multiplicado por ele mesmo uma certa quantidade de vezes. No ensaio intitulado The Law of Accelerating Returns,4 Ray Kurzweil diz que o progresso acelerado se deve à aplicação constante das antigas descobertas no processo de descoberta das novas invenções. Imaginemos por exemplo, o caso simplificado em que uma fábrica de processadores tente produzir chips com capacidade de processamento crescente. Numa dada etapa, a fábrica irá usar a tecnologia anterior para produzir a posterior. Na etapa seguinte, a tecnologia recém-descoberta – mais rápida que primeira – será implementada na busca por uma nova tecnologia e, portanto, emergirá num tempo menor que a sua antecessora. Esse processo expõe claramente e explica a redução de tempo entre as descobertas. O crescimento exponencial tecnológico, entretanto, representa um grande desafio à humanidade.

UM NOVO MOVIMENTO CULTURAL SURGE BASEADO NA IDEIA DO USO RACIONAL PARA MELHORAR A VIDA: O TRANSHUMANISMO

ARQUIIVO CIÊNCIA & VIDAExplosão da Bomba Atômica em Nagasaki (1945). A tecnologia ao serviço da vida promove o constante aprimoramento da condição humana, pois nasce de um respeito pela natureza e suas condições. A tecnologia utilizada pela destruição em massa da humanidade nos conduz a uma situação apocalíptica

O Homo Sapiens viveu 90% de sua história em sociedades de caça e coleta, a esmagadora maioria do tempo restante, em sociedades agrícolas – o tempo que a humanidade passou no modo de vida atual é praticamente desprezível. Consequentemente, nossa cognição foi moldada pela evolução, durante milhares de anos, para lidar com os problemas e desafios de modos de vida extremamente diferentes do atual.5 Desde a invenção da bomba atômica, temos lidado com o risco constante de autodestruição. Em nenhum momento obter um consenso geral contra a proliferação de armas nucleares foi uma característica cognitiva desejável ao homem primitivo e, portanto, não existe nenhuma razão imediata – do ponto de vista meramente da evolução biológica – para possuirmos tal característica. Surpreendentemente, temos lidado de forma razoável com essa questão até então. A mesma sorte pode não ocorrer com diversas novas tecnologias que se anunciam no horizonte. Uma vez claro esse aspecto, fica obvio a imprescindibilidade de análise responsável e precisa dos potenciais riscos e benefícios da tecnologia.

Claudio Wieser
Tradutor e Publicitário, sócio proprietário da agência TCF Publicidade & Marketing, fundador do grupo O Libertário no facebook.

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