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O Libertario

Um mundo movido a lucro é melhor, mais barato e mais belo – entenda

É muito frequente ouvir-se hoje em dia que fulano só pensa no lucro e por isso é mau e não pensa no resto. Vamos aqui ver que não há maldade em somente almejar lucro e que esse resto não existe. Todas as ações humanas tem por finalidade ganhos e, num contexto social, é a expectativa por lucros que dá motivação a milhões de pessoas viverem em função de oferecer produtos e serviços sem os quais as pessoas morreriam ou viveriam de forma primitiva.

Quando o retorno por um trabalho é maior do que o esforço empregado, obtém-se lucro. Para isto ocorrer é necessário, primeiramente, capital, ou seja, todos os recursos que você possui para poder render. Podem ser fábricas, empregados, seu tempo hábil para executar sua tarefa lucrativa e até mesmo suas mãos podem ser capital. Outra característica do lucro é sua subjetividade. Somente o indivíduo que realizou determinada tarefa é capaz de determinar se o retorno, seja financeiro ou em outro sentido, de fato foi compensador, afinal somente ele é capaz de avaliar o quanto lhe foi dispendiosa determinada tarefa, e o quanto lhe vale determinada recompensa.

Por algum motivo, atualmente a visão de alguém que age em função de enriquecer ou lucrar é quase que demonizada. Condenar o lucro é na verdade algo muito estranho pois não há outra coisa que um ser humano busque em sua vida, e isso não tem nada a ver com vivermos numa sociedade capitalista. Toda ação que você toma na vida, sem você notar, tem como finalidade algum beneficiamento. Você faz um trabalho de faculdade até a madrugada pois não quer ter de repetir a matéria. Quando você decidiu viajar pro exterior, decidiu que gastar milhares de reais em passagens e estadia valiam mais a pena do que poupar esse dinheiro para outra coisa. Absolutamente toda relação de compra e venda de mercadoria é feita a partir de uma avaliação subjetiva de ganhos e perdas. Você compra uma coxinha a 2,50 reais pois considera que os benefícios de você possuir uma coxinha, comê-la e saciar-se valem mais do que dois reais e  cinquenta centavos; mas para o vendedor, 2,50 reais valem mais do que se manter com a coxinha.  Até o suicida se mata por considerar mais desejável a morte à vida que possui. No fim, toda ação racional é feita com a finalidade de algum tipo de lucro. O capitalismo é, com isso, o arranjo social onde todas as relações entre as pessoas tem essa mesma finalidade. Trata-se da tendência natural da sociedade.

Enquanto a Austrália era uma colônia inglesa, o Reino Unido enviava boa parte de seus presos para a terra dos aborígenes. Durante a longa viagem, muitos presos acabavam morrendo por falta de cuidados sanitários e alimentícios. Isso gerou uma mobilização humanista na Inglaterra, em que várias pessoas da sociedade britânica exigiam que os presos fossem melhor tratados até chegarem à Austrália. Inicialmente, o parlamento criou diversas leis, regulando as condições em que os presos deveriam ser transportados. Porém a mortalidade dos presos de nada baixou; na verdade aumentou vertiginosamente dados os esforços que os tripulantes dos barcos tinham agora para se safar da fiscalização. A realidade só começou a mudar quando foi estabelecido que os capitães receberiam somente a cada preso vivo que chegasse à Austrália. Esse é um exemplo icônico de como o beneficiamento, especialmente o financeiro, é um motivador maior de boas ações do que mera benevolência.

Tantas vezes a fome na África, a devastação da natureza e a falta de acesso às tecnologias por parte dos tem a “sociedade  do lucro” como culpado por inúmeras pessoas do tipo intelectual ou até de senso comum. A verdade é que é a expectativa de lucro que, primeiramente, motiva a inovação tecnológica e a oferta de produtos. Parafraseando Smith, o padeiro não fez o pão que você comeu hoje para que você se alimentasse, mas para que ele lucrasse. Com essa finalidade de lucro, o padeiro alimentou todas as casas do bairro na manhã. Celulares existem porque engenheiros queriam ganhar dinheiro, viram que pessoas tem necessidade de se comunicar e criaram algo que atendesse a essa necessidade.

A ideia de que certas coisas não deveriam ser produzidas com finalidade lucrativa devido a sua importância social não faz menor sentido. A defesa da privatização da água por exemplo, não é (obviamente) para que alguns donos de recursos hídricos fiquem com toda a água do planeta enquanto pessoas passam sede. Pelo contrário, queremos que a distribuição de água seja algo lógico e o ganha pão para alguém. Ninguém que defende a privatização dos meios de transporte quer que somente ricos se locomovam. Defendem que seja concretamente interessante àqueles que sabem manejar melhor sistemas de transporte a oferta de serviços do tipo a todos que precisam.

O lucro é, portanto, muito distante da causa dos males do mundo e da escassez. É a expectativa de lucro, e uma organização social propícia a ela, que torna interessante e lógica a produção de todos os bens e serviços que tornam nossa vida imensamente melhor do que se dependêssemos de favores e bondades. É preciso haver interesse.

Darwin Ponge-Schmidt – Fotógrafo e estudante autodidata de temas relacionados às Ciências Sociais. Interessado em economia, artes, linguística e ciências de forma geral. Anarcocapitalista, belo e moral.

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