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O Libertario

O centrismo de Ludwig Von Mises


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Ludwig Von Mises nasceu no dia 29 de setembro de 1881 na cidade de Lvil, na Áustria-Hungria e morreu no dia 10 de outubro de 1973 em Nova Iorque. O maior economista do século XX na opinião de muitos (na minha por exemplo), ele ainda é um pensador que acaba causando muitas polêmicas nas discussões; se de um lado temos radicais de esquerda chamando ele de forma pejorativa pelos termos “coxinha”, “reaça” ou “neoliberal”, do outro temos a galera de direita dizendo que ele é de esquerda (na cabeça desse pessoal, liberalismo é de esquerda) por “defender” “agendas culturais” da esquerda (Mises era a favor da liberação de todas as drogas e no seu livro “Socialismo”, falou no direito das mulheres, por exemplo). Então, para muitos fica a dúvida: o que Mises realmente era? Ele era de direita ou de esquerda? Bom, a resposta é simples? nem um e nem outro. Mises (como todo bom liberal) era um centrista e, ao contrário do que muitos pensam, era extremamente pragmático. Vou provar o que estou afirmando com as palavras do próprio economista. Mas primeiro precisamos definir: o que é o centro no espectro político? O centro representa um meio termo entre a direita e a esquerda, uma mescla entre algumas pautas progressistas (liberação das drogas e casamento gay) e algumas pautas conservadoras (defesa da propriedade privada e do livre-mercado), ao mesmo tempo que apresenta uma oposição ao extremismo/totalitarismo, seja ele de direita(regimes militares na América Latina) ou de esquerda(ditaduras socialistas). Por essa, definição o liberalismo é uma ideologia de centro (e não de direita ou esquerda como muitos pensam).
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Abaixo, vai os trechos que comprovam o centrismo de Ludwig Von Mises:

“Se a utilização de um determinado tipo ideal é recomendável, ou não, depende essencialmente do modo como compreendemos os acontecimentos. É muito comum, hoje em dia, recorrer a dois tipos ideais: o regime político dos partidos de esquerda (progressista) e o dos partidos de direita (fascistas). Entre os primeiros, encontram-se as democracias ocidentais, algumas ditaduras latino-americanas e o bolchevismo russo; o segundo compreende o fascismo italiano e o nazismo alemão. Esta tipificação é o resultado de um determinado modo de compreensão. Outro modo seria contrastar democracia e ditadura. Neste caso, o bolchevismo russo, o fascismo italiano, o nazismo alemão e a ditadura latina americana fariam parte do tipo ideais ditadura e os sistemas ocidentais pertenceriam ao tipo ideal democracia.”
– “Ação Humana”, capítulo 2, parte 9.

Nessa trecho vemos como o Mises definia a direita e a esquerda, a direita seriam os fascistas e a esquerda os socialistas/progressistas, e como todos sabem o Mises sempre criticou todo e qualquer tipo de totalitarismo, e isso inclui o fascismo e o socialismo, logo ele(segundo ele mesmo) não se encaixaria nem na direita e nem na esquerda.

“Alguns dos atuais adversários do liberalismo, tanto de direita
como de esquerda, apoiam suas teses em interpretações erradas das contribuições da moderna biologia.
Os homens não são iguais. O liberalismo do século XVIII e, da mesma forma, o igualitarismo de nossos dias partem da “verdade autoevidente” que afirma que “todos os homens são criados iguais, e são dotados pelo Criador com certos direitos inalienáveis”. Entretanto, dizem os advogados de uma filosofia biológica da sociedade, a ciência natural já demonstrou, de maneira irrefutável, que os homens são diferentes. No quadro da observação experimental dos fenômenos naturais, não há espaço para o conceito de direitos naturais. A natureza é insensível em relação à vida e à felicidade de qualquer pessoa.
A natureza é necessidade e regularidade férreas. É um disparate metafísico juntar a “escorregadia” e vaga noção de liberdade com as leis absolutas e invariáveis da ordem cósmica. Assim, a ideia básica do liberalismo é desmascarada como uma falácia.
Ora, é verdade que o movimento liberal e democrático dos séculos XVIII e XIX tirou uma boa parte de sua força da doutrina da lei natural e dos direitos inatos e imprescritíveis do indivíduo. Essas ideias, que foram originariamente desenvolvidas pela filosofia antiga e pela teologia judaica, impregnaram o pensamento cristão. Algumas seitas anticatólicas fizeram delas o ponto focal de seus programas políticos. Uma longa série de filósofos eminentes as consolidou. Tornaram se populares e foram a força mais poderosa a atuar na evolução em direção à democracia. Ainda hoje, têm muitos adeptos. Seus defensores não se importam com o fato incontestável de Deus ou a natureza não terem criado os homens iguais, como prova a evidência de que muitos nascem sãos e fortes, enquanto outros nascem aleijados e deformados.

Para eles, todas as diferenças se devem à educação, às oportunidades e às instituições sociais. Mas os ensinamentos da filosofia utilitarista e da economia clássica não têm nada a ver com a doutrina do direito natural. Para elas, o que realmente importa é a utilidade social. Recomendam governo popular, propriedade privada, tolerância e liberdade. Não por serem naturais e justos, mas por serem benéficos. A essência da filosofia de Ricardo é a demonstração de que a cooperação social e a divisão do trabalho são benéficas tanto aos grupos de homens que sob todos os aspectos, são mais eficientes e superiores, como aos grupos de homens menos eficientes e inferiores. Bentham, o radical, clamava: “Direitos naturais é puro non-sense; direitos naturais e imprescritíveis, nonsense retórico”.13 Para ele, “o único objetivo do governo devia ser a maior felicidade do maior número possível de membros da comunidade”. Consequentemente, ao investigar o que devia ser considerado um direito, não se preocupa com as ideias preconcebidas concernentes aos planos e intenções de Deus ou da natureza, eternamente inacessíveis aos homens mortais; procura descobrir o que melhor promove o bem estar e a felicidade do homem.
Malthus mostrou que a natureza, ao limitar os meios de subsistência, não reconhece a nenhum ser vivo o direito à existência, e que o homem, ao deixar-se levar imprudentemente pelo impulso natural da proliferação, jamais se livraria do espectro da fome. Afirmava ele que a civilização e o bem estar humanos só poderiam desenvolver-se na medida em que o homem aprendesse a controlar os seus apetites sexuais por meio de restrições de ordem moral. Os utilitaristas não combatem o governo arbitrário e os privilégios por serem contrários à lei natural, mas por serem prejudiciais à prosperidade. Recomendam igualdade perante a lei civil, não porque os homens sejam iguais, mas porque tal política é benéfica à comunidade. Ao rejeitar as noções ilusórias de lei natural e igualdade humana, a moderna biologia não fez mais do que repetir o que os utilitaristas defensores do liberalismo e da democracia já haviam ensinado antes, e de maneira bem mais persuasiva. É óbvio que nenhuma doutrina biológica poderá jamais invalidar o que a filosofia utilitarista predica em relação à utilidade social do governo democrático, da propriedade privada, da liberdade e da igualdade perante a lei.”
– “Ação Humana”, capítulo 8, parte 8.

Nesse trecho do Ação Humana, Mises afirma que os atuais adversários do liberalismo vem da direita e da esquerda. No mesmo trecho, ele também critica o jusnaturalismo e se denomina um utilitarista. O utilitarismo é uma doutrina por si só anti-ideologista, pois ao defender uma medida por motivos utilitários você não está defendendo essa medida por motivos ideológicos e sim pela eficiência da mesma. Isso já quebra de vez a teoria de que Mises seria um dogmático, mas vamos continuar.

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“Assim vemos que a distinção entre direita e esquerda, que tinha sentido nos dias da revolução francesa, não tem mais nenhum sentido.”
– “Marxismo Desmascarado”, capítulo 1, página 35 (edição da Vide Editorial).

Neste trecho, percebemos que além de não se considerar nem de direita e nem de esquerda, Mises também criticava esse espectro binário que muitos até hoje insistem em utilizar.
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“Este é o princípio fundamental do capitalismo tal como existe
hoje em todos os países onde há um sistema de produção em massa extremamente desenvolvido: as empresas de grande porte, alvo dos mais fanáticos ataques desfechados pelos pretensos esquerdistas, produzem quase exclusivamente para suprir a carência das massas.

 As empresas dedicadas à fabricação de artigos de luxo, para uso apenas dos abastados, jamais têm condições de alcançar a magnitude das grandes empresas. E, hoje, os empregados das grandes fábricas são, eles próprios, os maiores consumidores dos produtos que nelas se fabricam. Esta é a diferença básica entre os princípios capitalistas de produção e os princípios feudalistas de épocas anteriores.”
– “As Seis Lições”, primeira lição.

Nesse trecho vemos claramente Mises defendendo o capitalismo contra os ataques dos esquerdistas. Como alguém pode ser de esquerda (segundo os direitistas) ao mesmo tempo que critica a esquerda?

“O fato é que, no sistema capitalista, os chefes, em última instância, são os consumidores. Não é o estado, é o povo que é soberano. Prova disto é o fato de que lhe assiste o direito de ser tolo. Este é o privilégio do soberano. Assiste-lhe o direito de cometer erros: ninguém o pode impedir de cometê-los, embora, obviamente, deva pagar por eles. Quando afirmamos que o consumidor é supremo ou soberano, não estamos afirmando que está livre de erros, que sempre sabe o que melhor lhe conviria. Muitas vezes os consumidores compram ou consomem artigos que não deviam comprar ou consumir. Mas a ideia de que uma forma capitalista de governo pode impedir, através de um controle sobre o que as pessoas consomem, que elas se prejudiquem, é falsa. A visão do governo como uma autoridade paternal, um guardião de todos, é própria dos adeptos do socialismo.”

“Nos Estados Unidos, o governo empreendeu certa feita, há alguns anos, uma experiência que foi qualificada de “nobre”. Essa “nobre experiência” consistiu numa lei que declarava ilegal o consumo de bebidas tóxicas. Não há dúvida de que muita gente se prejudica ao beber conhaque e whisky em excesso. Algumas autoridades nos Estados Unidos são contrárias até mesmo ao fumo.
Certamente há muitas pessoas que fumam demais, não obstante
o fato de que não fumar seria melhor para elas. Isso suscita um problema que transcende em muito a discussão econômica: põe a nu o verdadeiro significado da liberdade. Se admitirmos que é bom impedir que as pessoas se prejudiquem bebendo ou fumando em excesso, haverá quem pergunte: “Será que o corpo é tudo? Não seria a mente do homem muito mais importante? Não seria a mente do homem o verdadeiro dom, o verdadeiro predicado humano?”
Se dermos ao governo o direito de determinar o que o corpo humano deve consumir, de determinar se alguém deve ou não fumar, deve ou não beber, nada poderemos replicar a quem afirme: “Mais importante ainda que o corpo é a mente, é a alma, e o homem se prejudica muito mais ao ler maus livros, ouvir música ruim e assistir a maus filmes. É, pois, dever do governo impedir que se cometam esses erros.”

– “As Seis Lições”, segunda lição.

Neste trecho, vemos uma defesa implícita da liberação de drogas, além de uma crítica à antiga lei seca dos Estados Unidos que vigorou no inicio do século XX. Que direitista é esse que defende a liberação de drogas?
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Agora vem aí trechos de sua obra “Socialismo”, em que ele defende o feminismo:

“A luta feminina para a preservação de sua personalidade no casamento é parte da luta pela preservação da integridade pessoal que caracteriza uma sociedade baseada na razão, com uma ordem econômica baseada na propriedade privada dos meios de produção (…) Toda a humanidade sofreria se as mulheres não desenvolvessem seus egos e fossem incapazes de se unir com os homens como parceiros livres e iguais.”

“O domínio masculino absoluto caracteriza as relações familiares onde reina o princípio da violência. A agressividade masculina, que está implícita na própria natureza das relações sexuais, é ali levada ao extremo. O homem toma propriedade da mulher e a detém esta como objeto sexual, da mesma forma que detém outros bens. Neste contexto, mulheres se tornam plenamente um objeto. Ela é roubada e comprada. Ela é doada e vendida. Em suma, ela é como um escravo que vive dentro de casa. Durante sua vida, o homem é seu juiz. Depois da morte dele, ela vai ser enterrada em sua cova, junto com todas as suas outras posses. A história legal mostra que, em quase a totalidade dos nações, este foi, no passado, uma situação considerada legítima.”

“O princípio da violência reconhece somente o homem. Somente ele detém o poder – e portanto somente ele tem direitos. A mulher é simplesmente um objeto sexual. Nenhuma mulher pode existir sem um Senhor – seja este seu pai, guardião, marido ou empregador. Mesmo prostitutas não são livres; elas pertencem ao dono do bordel. Os que buscam serviços sexuais fazem seus contratos com este e não com aquelas. A mulher da vida é usada por qualquer um para o livre exercício dos prazeres masculinos. Mas o direito de escolher um homem para si não pertence à mulher. Ela é cedida a seu marido e por ele tomada. É seu dever amá-lo, talvez também sua virtude – e tal sentimento vai definir o prazer que cada homem deriva do casamento. Mas à mulher não se pergunta qual é sua opinião. O homem tem o direito de repudiá-la e dela se divorciar; ela própria não tem tal direito.”

Mas ué, como alguém pode ser um reaça, coxinha malvadão(segundo os esquerdistas) ao mesmo tempo que defende o feminismo, uma pauta progressista?
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Conclusão:
Como vimos nos trechos mostrados neste artigo, Mises não era uma pessoa de esquerda e muito menos de direita, ele era um liberal (minarquista) utilitarista racionalista e de CENTRO. Negava tanto a direita quanto a esquerda, defendia algumas pautas progressistas como a liberação de drogas e o feminismo, ao mesmo tempo em que era um ferrenho defensor do capitalismo.

P.S.: Eu não defendo o feminismo. Estou apenas mostrando o que Mises era para provar que ele não era de direita ou esquerda.
P.S. 2: Muitos vão vir com o diagrama de Nolan dizendo que os liberais ficam na parte de cima e não no centro, mas para quem não sabe eu estou me baseando no espectro político linear clássico, que contêm apenas direita, esquerda e centro. Nesse espectro o Mises fica no centro.

Fontes/Livros:
Socialismo (sim, está em espanhol):
https://austrianlibrary.files.wordpress.com/2013/02/socialismo-de-ludwig-von-mises.pdf

As Seis Lições:
https://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://www.mises.org.br/files/literature/As%2520Seis%2520Li%25C3%25A7%25C3%25B5es%2520MISES.pdf&ved=0ahUKEwjZsPSOl97QAhWDxpAKHe-mAYkQFggaMAA&usg=AFQjCNHV34eOLKVRJfBRDZspqZTcsaHQDA

Ação Humana: https://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://www.mises.org.br/files/literature/A%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520Humana%2520-%2520WEB.pdf&ved=0ahUKEwib7-uel97QAhUJjJAKHQbABQIQFggaMAA&usg=AFQjCNH9uktdz5qA7f6_S9o4GvPEBiA_fQ

O livro “Marxismo Desmascarado” ainda não se encontra em PDF, pois foi um conjunto de palestras de Ludwig Von Mises que foi transformado em livro recentemente. Quem quiser o livro pode comprar na VIDE EDITORIAL:
http://videeditorial.com.br/marxismo-desmascarado?search=Mises

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