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O Libertario

A EVOLUÇÃO DE DARWIN, EU MESMO

Fui talvez o adolescente comunista mais cliché que se possa imaginar. Ia a manifestações de todo tipo, organizei-me com amigos na intenção de criar um grêmio em minha escola, participava intensamente das discussões nas aulas de Humanas, com os professores sempre muito contentes com como eu fazia sempre a interpretação cabível para os scripts de suas matérias. Isso sem contar os muito frequentes, organizados ou informais debates sobre as pautas que a esquerda tem tomado no momento para ter alguma relevância nas eleições. Acima de tudo, defendia minha imagem de pessoa preocupada com os pobres.
Eu era um estatista com todo o chorume que isso implica.
Para mim, não havia problema que lei não resolvesse. As contradições estavam onde o estado não havia tomado conta completamente. Enfim, a própria maldade e corrupção humanas poderiam ser resolvidas ao assinar de um decreto de um burocrata, sempre bem intencionado.
Eu era a expressão máxima daquele tipo de pessoa que tinha uma visão clara de mundo ideal, e pisaria em cima dos mundos ideais das outras pessoas para tornar o meu realidade. Aquilo que na ciência política chamamos socialismo.
Mas nunca pude negar algumas divergências entre mim e o resto daquelas pessoas.
Para quem não conhece os movimentos de esquerda por dentro, informo que as pessoas lá levam tudo de forma mais infantil, pessoal e extrema do que em qualquer aglutinação de libertários em que já estive. Os movimentos são todos extremamente segmentados em “áreas de atuação”, com os secundaristas, os universitários, negros, LGBT, sindicalistas etc. Mas são vários movimentos de cada área e eles criam alianças com grupos de de outros segmentos e sabotam outros grupos da mesma área. É um mercado, com oferta e demanda, e o meio de troca são os jovens que fazem acreditar que são importantes para o movimento.
Mas eu nunca liguei para essas besteiras. Certa vez, participei de uma reunião do movimento Reviravolta, mas não deveria, pois eu era do Levante, e o Levante apoia a UNE, que é contra a ANEEL, porque é do PSTU, que controla o Reviravolta. Eu não entendi o porquê dessa confusão e participava daquilo que eu, pessoalmente, concordava, o que vai em contrassenso à teoria e prática da ação dos socialistas.
Até o meu apoio à legalização da maconha tinha como finalidade a socialização do baseado. Era a favor de taxação, cadastro de usuários, controle de consumo e todo tipo de burocracia inútil e bizarra por causa de uma planta. O famoso estatista a favor da legalização.
Foi nesse meio que conheci o Botelho, amigo da escola que muito considero até hoje, skatista e rapper talentoso. Ele foi a primeira pessoa a ridicularizar e me questionar o motivo de tanta vontade de criar leis que permitem coisas, se poderíamos tirar as leis que nos proíbem. Foram poucas e rápidas discussões nesse teor. Poucas porque tínhamos mais o que fazer, rápidas pois, sempre que discutíamos assim, incomodava-me como minhas ideias extremamente complexas e bem elaboradas, lotadas de termos acadêmicos esmerados, mostravam-se sem nenhum sentido perante a mais simples réplica que meu amigo skatista e rapper dava. A crítica histórico-dialética marxista da teoria da luta de classes morreu com ele me mostrando com piadas que quem trabalha, lucra, senão não estaria trabalhando, e que isso vale até pro pedreiro mais raso, pois o valor é subjetivo.
Nunca vi tanta inteligência e coerência apresentadas e forma tão simples, sem piruetas argumentativas intermináveis, sem termos incompreensíveis aos leigos e grandes análises de contexto para complicar a compreensão de fatos essencialmente muito simples. Cheguei ao ponto em que não era mais comunista, mas não era nada novo.
A partir daí, minha mudança foi questão de semanas. Sem ser requisitado o Botelho me colocou no grupo Libertarianismo, uma palavra nova para mim. Isso no saudoso tempo em que os grupos de libertários eram menos populares e as pessoas se restringiam mais a publicar artigos e conteúdo de estudo.
E estudei muito. Li artigos do Instituto Mises e outros, fui perguntando nas discussões por que ser contra salário mínimo, por que ser contra impostos, por que defender a propriedade privada. Repetiram-se as respostas extremamente simples e claras, e minhas refutações eram claramente só fruto do meu desconhecimento dos assuntos no momento.
Pedi que me recomendassem livros, pesquisei “Libertarianism” no meu Kindle (eu era um socialista de Kindle) e baixei o primeiro livro que vi. Foi no Liberalismo, de Ludwig von Mises, onde pela primeira vez fui apresentado formalmente às ideias de liberdade, e não achei nada do que passei anos sendo ensinado sobre o que é o liberalismo. Pelo contrário, o livro é um tratado pela paz entre as pessoas, contra a coerção de uns em detrimento de outros e uma preocupação sincera em como tornar a todos, inclusive e especialmente os pobres, felizes. Continuo lendo livros da Escola Austríaca, e depois de mais de um ano da minha mudança sigo estudando o tema da liberdade e moldando minhas ideias, perante novas evidências, e a tenra experiência de vida que possuo aos 18 anos.
Para encerrar, um pedido. Permitam às pessoas mudarem, elas podem mudar para o seu lado. Sempre agi por conta própria, sempre fui individualista e fiz questão de afirmar meu direito ao meu espaço. Só não tive até então a oportunidade de ser apresentado a uma visão condizente com essas minhas características, sempre desencorajadas por nossa sociedade hostil às liberdades mais óbvias.
(foto: eu aos 15 anos)

Claudio Wieser
Tradutor e Publicitário, sócio proprietário da agência TCF Publicidade & Marketing, fundador do grupo O Libertário no facebook.

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